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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Charge: Trio Assombro

Charge: Felipe Galdino



*Se não der para ver direito, no papel que o fantasma gente boa e honesta do meio segura está escrito "Reforma Política".

Felipe, o Galdino

domingo, 31 de outubro de 2010

Nordeste: um tesouro nacional



Este 31 de outubro foi o dia da eleição aqui no Brasil. Na verdade, o 2º turno para presidente e para governador em alguns estados - acredito que em nove. Como sabemos, a candidata do atual presidente Lula, Dilma Rousseff, do PT, venceu José Serra, do PSDB. Mas esse não é o tema central deste artigo. Deixemos de rodeios e vamos lá.

Todos sabemos do preconceito que o Sul e Sudeste do Brasil tem com o Nordeste. O programa "A Liga", da Band, mostrou há umas duas semanas, exatamente esse sentimento. Eles fizeram até testes para provar e confesso que achei que forçaram a barra em alguns métodos usados, como no do paulista e o cearense que foram tentar um emprego numa empresa. O nordestino falava "bixinha" com a atendente a cada duas palavras ditas. Não acho que alguém que vá procurar trabalho fale assim como aquele senhor falava, eu pelo menos não falo - e sou da mesma região dele. O paulista, por exemplo, não disse uma gíria sequer, e olha que lá eles também têm, como: "véio", "firmeza". Mas em outras situações realmente foi constatado o sentimento que o povo sudestino tem como nós do Nordeste.

Já neste último dia de outubro, veio a confirmação do que a Liga trouxe a público. Veio via Twitter, logo após a eleição de Dilma. Várias declarações no microblog de, sobretudo paulistas, denegrindo e colocando a "culpa" da vitória da petista nas nossas mãos, o povo do Nordeste brasileiro.

É lamentável e inadmissível que sentimentos assim ainda existam, pois já estamos no Século XXI, já fechando sua primeira década. Estão dizendo de tudo: que votamos na candidata porque queremos esmola; que nós não servimos de nada; vamos para lá (Sudeste) só para voltar depois com o "rabinho entre as pernas"; e insultos, vários insultos.

Pois bem, vamos à aula de história: quem mesmo que fez São Paulo ser o que é agora? Mas olha só, foi o povo nordestino. Sim, meus amigos paulistas, o povo forte e guerreiro que saia e - sai - todos os dias de suas cidades, fugindo das dificuldades que realmente existem aqui, tentando escapar da seca, um grande mal que assola o Sertão, ou partindo em busca de melhores oportunidades para ajudar a família. Foram eles que levantaram os prédios que existem hoje na maior cidade do hemisfério sul do mundo, foram eles que ajudaram, e ainda ajudam, no desenvolvimento dessa grande metrópole.

Continuando a aula, vários desses artistas e intelectuais que vocês conhecem são daqui. Para começar o escritor Ariano Suassuna, autor de "O auto da Compadecida", obra que encantou todo o país (inclusive o Sudeste), é desta terra. E alguns ícones da cultura brasileira também são, como Zeca Baleiro, Alceu Valença, Caetano Veloso, Raul Seixas, Maria Bethania, Elba Ramalho, Luiz Gonzaga, Dorival Caimi, Lázaro Ramos, Renato Aragão, Chico Anysio, José Wilker... é melhor parar por aqui, senão daria umas 50 páginas se prosseguisse. Ah, mas aproveitando a evidência do filme Tropa de Elite (1 e 2), Wagner Moura, o tão conhecido Capitão Nascimento - e atualmente promovido a Coronel - é baiano. Todo esse pessoal que citei, vai dizer que não contribuiu para o Brasil? Escutem a música "Construção" cantada por Zé Ramalho, outro nordestino, ela conta a vida de alguém que saiu de sua terra natal aqui no Sertão para tentar a sorte na cidade grande, que no caso provavelmente é São Paulo.

E mais: não fomos exclusivamente nós do Nordeste que elegemos Dilma. Se ela dependesse só da gente, não venceria essa eleição ("nem se Jesus Cristo quisesse"). Aliás, pela informação que tenho, no próprio Sudeste Serra perdeu, então, como a "culpa" cai somente sobre nós? Acordem, o PSDB perdeu no momento em que deixou de lançar Aécio Neves para a candidatura de presidente, e escolheu o "papelfóbico" José Serra, que desde os primórdios demonstra aversão à esta região do país, ou seja, vocês acham que ele teria vantagem aqui?

Aliás, como somos chamados de burros? Por acaso não fomos nós que elegemos um deputado, um tal de Tiririca, que recebeu mais de um milhão de votos. Vocês devem conhecer, ele é um palhaço, analfabeto, e olha que interessante, é nordestino. E foi eleito em São Paulo, batendo até recordes de votos - como o mundo dá voltas. E para melhorar nossa situação política, graças à questão das coligações, os eleitores de Tiririca ajudaram a levar para o Congresso uns "cabras" - expressão bem nordestina - que estavam envolvidos no famoso escândalo do "Mensalão".

Ah, e também não é daqui um dos políticos mais corruptos do Brasil, um rapaz chamado Paulo Maluf, ele é constantemente eleito por aquelas bandas sudestinas. Mas o pior é um partido que há mais de 10 anos domina o cenário de São Paulo. Parece que apesar da poluição de lá, o povo paulista é ecológico, adora ver os tucanos voando e dominando a área, mas o pior é que não vemos esses bichos mudarem muito o cenário, não trazem tantas melhorias ao "céu" de lá.

Então, me desculpe, mas é ridículo todo esse preconceito que há. Mas ainda bem que não é todo o povo do Sudeste que tem esse pensamento arcaico, são apenas uns ignorantes que não conhecem a história do país em que vivem, e e elas só dou uma dica: estudem, peguem um livro e vão ler, ao invés de ficar pensando e tuitando besteiras. Num sebo vocês encontram livros de história e geografia por um precinho camarada, recomendo que passem muito tempo apreciando o conteúdo deles.
Deixo claro que não quero incentivar essa richa besta entre o Norte e o Sul do país. Ela não leva a absolutamente nada, pelo contrário, só evidencia algo que no Brasil não deveria haver pela diversidade de nosso povo: o racismo e o preconceito. Somos um só, cada parte desta nação tem sua importância. O Nordeste é um tesouro nacional meus amigos, assim como o Sudeste, o Sul, o Norte, e o Centro-Oeste também, são os tesouros verde-amarelo.

Felipe, o Galdino


imagem: tecnocaverna.wordpress.com

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O Efeito Borboleta da bolinha de papel


Jogo sobre o episódio de Serra e a bolinha de papel


Diz-se que ao bater as asas no Japão, por exemplo, uma borboleta pode provocar um tornado no Havaí. A esse fenômeno, que é só uma interpretação teórica feita pelo cientista Edward Lorenz, dá-se o nome de "Efeito Borboleta". Ao meu ver é uma metáfora de que pequenas coisas podem gerar grandes coisas.

Vimos algo muito parecido nesta semana, quando na última quarta-feira uma simples bolinha de papel causou o maior alvoroço na campanha de presidente da República. Alguns acreditam na presença de um rolo de fita adesiva na história também, mas tanto faz, uma bolinha de papel ou o outro objeto, o fato é que não é suficiente para causar o que o candidato tucano quis parecer que causou.

Agora o famoso: Entenda o caso

Não precisava nem dizer o que houve, mas como um jornalista que sou - ou quase - tenho que fazer a retrospectiva, mas vou resumir. O candidato José Serra (PSDB), caminhava numa rua do Rio de Janeiro com eleitores quando encontrou pela frente alguns militantes do PT, partido da adversária Dilma Rousseff. Houve uma confusão generalizada e acabaram jogando uma bolinha de papel na cabeça do tucano, que continuou normalmente a andar.

O problema é que, pelo menos é o que diz a TV Globo e a coligação "serrana", o candidato foi atingido outra vez, no outro lado da cabeça, mas agora seria um objeto mais pesado, um rolo de fita adesiva. Após esse "ataque", vem uma ligação e Serra começa a sentir dores, náuseas e segue de helicóptero para o hospital. O seu médico diz que o tucano estava ferido na cabeça - pelo menos é o que ouvi da boca do doutor, que falou na propaganda do candidato - e que foi examinado, com tomografia e tudo. Ele é orientado a ficar 24h de repouso só que no outro dia de manhã já estava em campanha sem qualquer hematoma ou corte, o que é estranho já que até sangramento houve.

A partir do "atentado da bolinha" foi um blá blá blá de todos os lados, o PSDB acusando o PT de incentivar a violência e planejar tudo e o PT acusando o candidato de fingir para tentar se fazer de coitadinho e ganhar alguns eleitores. O presidente Lula chegou a comparar Serra com o goleiro chileno Rojas, que simulou discaradamente ter sido atingido por um sinalizador no jogo Brasil x Chile para tentar cancelar a partida.

Na propaganda eleitoral desta sexta-feira - que foi a que eu vi - os dois candidatos já usavam o incidente, cada um com seu interesse. Enquanto Dilma usou a matéria que saiu no SBT e que mostra o tucano supostamente simulando tudo, Serra usa a matéria do Jornal Nacional, que tenta provar, inclusive forçando a barra, que houve um ataque forte sobre ele, usando com argumentos o depoimento do médico e do perito que a Globo contatou para a reportegem do JN.

No Twitter o caso foi bem repercutido, com uma super minifestação através de tags como #serrarojas, #boladepapelfacts e #globomente. O assunto foi parar nos Trend Topics Mundiais.

Até um joguinho foi criado. O objetivo é você acertar o maior número de bolas de papel, em Serra, num determinado tempo.

Bem, claro que esse fato deve ter a repercussão que teve porque é algo grave, a violência não pode ser a dominante nessa campanha eleitoral, assim como um presidenciável não pode fazer o que José Serra fez, fingir dessa maneira é algo feio para alguém que quer chegar ao cargo que ele almeja. Mas acredito que o assunto já deveria ser passado para trás, há coisas mais importantes a serem discutidas nestas eleições.

A questão é que uma simples bola de papel causou um problema de grandes proporções, como no caso da borboleta que bate as asas no Japão. Mas o problema que falo não é nem para Serra nem para Dilma, é para a população que no dia 31 de outubro vai votar e vê assuntos realmente relevantes como as boas e verdadeiras propostas dos candidatos, ou o esclarecimento do escândalo de Paulo Preto ou ainda dos caminhões do PSDB apreendidos que seriam usados num suposto esquema de compre de votos. Todos esses e outros assuntos que deveriam ser o foco da campanha acabaram por ficar escondidos atrás de uma simples bola de papel com 210mm x 297mm.
Felipe, o Galdino